"O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë
"(...) Como você conseguiu preservar as afinidades comuns à natureza humana quando residiu aqui?" Imagino que esse trecho não pareça, à primeira vista, tão representativo assim de um clássico romance inglês do século XIX. Afinal, como dizem as sinopses deste livro que encontramos por aí, essa é uma história de um amor que "transcende a vida", ou de uma "paixão avassaladora". Não é bem assim, e acho que esse trecho que eu selecionei para introduzi-lo é, na verdade, bem mais significativo do que parece. Somos jogados, no início do livro, no Morro dos Ventos Uivantes, mansão inglesa antiga, daquelas que têm extensão enorme, cheia de campos ao redor e que exige uma caminhada longa até a casa vizinha, a Granja da Cruz dos Tordos. O livro começa com uma estratégia narrativa que, à época, era bastante inovadora, uma narrativa não linear, que começa do final e retorna ao passado. Além disso, a princípio, o livro é narrado por um personagem alheio às hist...