O Quinze, de Rachel de Queiroz
"Imaginava retirar uma porção de gado para a serra. Mas, sabia lá? Na serra, também, o recurso falta... Também o pasto seca... Também a água dos riachos afina, afina, até se transformar num fio gotejante e transparente. Além disso, a viagem sem pasto, sem bebida certa, havia de ser um horror, morreria tudo." Como sempre, ler Rachel de Queiroz é uma atividade angustiante. Seja pela sua escrita dolorosa e cruelmente precisa, ou seja pela sua história emblemática, traidora e hipócrita. Não vou passar muito tempo discorrendo sobre como essa autora se mostrou, ao longo de sua história, uma pessoa tão cruel e hipócrita (se você quiser saber mais sobre isso, leia minha resenha de Caminho de Pedras ), mas acho que é impossível se aventurar em qualquer obra dessa autora sem se lembrar dos horrores da sua vida. De qualquer forma, vamos ao livro. O Quinze é uma narrativa modernista de segunda geração que gira em torno de uma longa seca que aconteceu n...