Postagens

Mostrando postagens de 2026

A morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói

Imagem
  "Foi até o escritório, deitou-se e ficou de novo sozinho com ela . Face a face com ela , e não havia o que fazer com ela . Só olhar para ela  e gelar."     Há quase sempre, na literatura russa, um quê de angústia existencial. Com A morte de Ivan Ilitch não é diferente. O livro, rompendo com uma linha do tempo tradicional, se inicia descrevendo as reações das personagens ao descobrirem que Ivan Ilitch morreu. Assim, parte para uma curta narração da vida desse personagem, descrevendo todas as decisões que tomou até chegar naquele momento amedontrador.     Essa novela é muito curta, mas é tão cheia de acontecimentos, reflexões e momentos de angústia que se torna um romance robusto em poucas páginas. A vida de Ivan Ilitch é muito emblemática: o personagem, tão focado em conquistar para si uma vida "correta", que cumprisse com todas as expectativas compartilhadas pela sociedade, acaba adoecendo de maneira obscura, confusa e sem perspectiva de solução. Ivan Ili...

Amêndoas, de Won-pyung Sohn

Imagem
  "[...] ser uma pessoa comum era seguir o caminho mais complicado."     Uma decepção literária para começar o ano...     Há meses eu tinha vontade de ler Amêndoas; sempre via a capa em livrarias e via esse livro aparecer em recomendações que me apareciam na internet. Parecia ser um livro sensível, inovador e com um quê de coming of age  que eu sempre gosto. E, realmente, quando comecei, tive a sensação de que ele iria cumprir a expectativa literária que depositei nele, ao menos parcialmente. Mas, a partir da terceira parte -- ele é dividido em 4 partes --, toda a experiência literária positiva foi por água abaixo.     Esse livro conta a história de  Yunjae, um menino que nasceu com uma condição no cérebro que faz com ele não seja capaz de sentir emoções. Medo, tristeza, alegria, ansiedade, nada disso. Por conta disso, sua mãe e sua avó fazem grandes esforços para que ele se adapte ao mundo e não seja recebido pelas pessoas com desprezo. Elas...

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis

Imagem
  "A obra em si mesma é tudo: se te agradar, fino leitor, pago-me da tarefa; se não te agradar, pago-te com um piparote, e adeus."     De certo você vai ler essa resenha pensando que é lógico que eu não tenho muito a acrescentar à discussão a respeito desse livro. E realmente, o que mais pode uma pessoa comum dizer sobre o grande clássico de Machado de Assis?     Posso começar refletindo sobre o porquê de esse livro ser o clássico que é. Um dos motivos é claro que é o defunto-autor, uma invenção completamente incomparável a qualquer outro evento literário da época (e, convenhamos, até hoje é difícil apontar alguém que tenha criado algo da mesma magnitude). Um autor que é primeiro defunto, porque passa a ser autor apenas depois de morrer. E como pode que, no livro que representa o movimento literário chamado realismo , o elemento mais essencial da história é fantástico, mágico? E como pode que é justamente esse elemento fantástico que faz com que o livro seja, de...