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Mostrando postagens de janeiro, 2025

Leite derramado, de Chico Buarque

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  "Veja só, neste momento olho para você, que toda noite está comigo tão amorosa, e fico até sem graça de perguntar seu nome de novo."     Minha história com esse livro não começa em mim. Desde pequena, me lembro de ver esse livro na cabeceira de minha mãe, ou em sua estante. O título me pareceu desde sempre muito característico dela, já que sempre trabalhou com amamentação, e as temáticas do leite, da mamadeira, da forma correta de segurar o bebê no processo, do bico, da deglutição, etc. são assuntos recorrentes em casa. Então, na verdade, minha impressão primeira desse livro era de pensar que Chico Buarque de repente virara um especialista em amamentação.     Também sempre fui apaixonada pelo Rio de Janeiro. Aos 10 anos visitei-o pela primeira vez, aos 15 voltei como presente de aniversário, então aos 23 voltei mais uma vez com uma amiga para uma viagem que não foi lá a melhor dos mundos (Gabi, ainda te devo uma volta ao Rio que faça jus à cidade). Mas, ainda ...

A cor púrpura, de Alice Walker

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  " ⁠Todo mundo quer ser amado. A gente canta e dança, faz careta e dá buquê de rosa, tentando ser amado. Você já reparou que as árvore fazem tudo que a gente faz pra chamar atenção, menos andar?"     A cor púrpura  é um livro epistolar, o que significa que ele é narrado por meio de cartas. A princípio, Celie, a protagonista, escreve dirigindo-se a Deus, e, com uma escrita tão simples e repleta de desvios à norma-padrão (coisa com a qual ela nunca pôde ter contato), conta suas angústias vivendo com seu pai, que abusa sexualmente dela e maltrata sua mãe e sua família; até que sua mãe morre (isso acontece literalmente na página 11, não é spoiler). Celie, então, é forçada a casar-se com o Sinhô ____ (essa é a forma como ela escreve seu nome ao longo de quase o livro todo) e criar os filhos dele inteiramente sozinha, sem afeto e amor por ele ou pelos filhos. Sinhô ____, incomodado desde o princípio com a relação de Celie com sua irmã Nettie, a proíbe de vê-la e contatá-l...

Maus, de Art Spiegelman

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  "Tanta coisa eu nunca vou conseguir entender nem visualizar. É que a realidade é complexa demais para ser contada em quadrinhos..."      Maus é o livro que inaugura minhas leituras de 2025. Começo o ano com um tipo de livro que há anos não lia: quadrinhos. Mas não estamos falando de Homem-Aranha (o que não seria nada mal, inclusive, o último quadrinho que eu havia lido antes desse foi um dele). E este livro é interessante, ainda mais à primeira vista. Pode até ser que a capa dele te assuste, te faça pausar e pensar: "será que é isso mesmo que eu estou vendo?". É, é sim.     Esse livro conta a história de Vladek Spiegelman, pai do autor do livro, Art. Vladek era um homem judeu polonês que foi vitimado pelo holocausto, mas conseguiu sobreviver (o que não é uma vitória , mas uma sorte do destino, e já vamos ver o porquê), e seu filho pede que ele conte sua história para ser ilustrada e publicada. Vladek é um homem de personalidade antiga, bastante avarento ...