Nós matamos o cão tinhoso, de Luís Bernardo Honwana
"Mas não me olhes como se eu tivesse culpa, Cão Tinhoso! Desculpa, mas eu tenho medo dos teus olhos..." A coletânea de contos de Honwana é uma obra bastante representativa da história de Moçambique. Após 400 anos de colonização, não é possível fugir dos efeitos de toda a violência, segregação e desigualdade que isso constroi na sociedade. E é importante entender que Honwana foi militante do movimento FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), e que este livro foi publicado durante sua prisão política. Então, é evidente que a obra não tenta fugir desses elementos, muito pelo contrário: eles são elementos absolutamente constitutivos da trama. Mas, ele não se encerra nisso. É muito mais do que isso. Sempre que lemos literaturas africanas, ou de lugares historicamente marcados por opressão, invasão e colonialismo, esperamos que a obra seja um retrato disso, seja uma obra que nos ensine sobre a história dramática deste país. Não se oferece o espaço para literaturas africanas...