A corneta, de Leonora Carrington
"... eu nunca sofro de solidão. Sofro muito com a ideia de que minha solidão possa ser tirada de mim por um monte de pessoas impiedosamente bem-intencionadas." Nada pode te preparar para o desenrolar dessa história. A ficção surrealista de Leonora Carrington é um embarque em um sonho febril do qual não há sentido acordar. Tenho tido, por coincidência, uma fase literária muito peculiar. Tenho lido em sequência livros que contam histórias de pessoas velhas muito excêntricas e bastante incompreendidas pelo mundo ao redor. Começou com Leite derramado , do Chico Buarque, então li Sobre os ossos dos mortos , de Olga Tokarczuk e, agora, A corneta . Essa sequência transcontinental fez mais sentido do que eu seria capaz de prever, não apenas pela idade semelhante dos personagens principais, mas justamente pelas perspectivas tão diversas sobre figuras tão excêntricas. E, para amarrar tudo lindamente, Tokarczuk faz um belíssimo posfácio para A corneta , que...